Terça-feira, 22 de Julho de 2014

Destino

Se vivo, não sei onde moro

Oh, destino, que minh'alma escureces

Sim tenho medo, mas não choro

Chora tu que já me conheces

Agarra-te à vida que eu te adoro

Porque comigo te compadeces

Então chora! Chorar faz bem,

A mente alivia como ninguém!

II

Alma penada posta de lado

Se agora existo, só sobrevivo

À bengala sempre agarrado

Vivi muito, mas já não vivo

A este destino estou amarrado

Coração cansado, apreensivo.

Devia ter feito ficou por fazer,

Tanto defeito, tudo a perder!

III

Perdi os amigos, alguns bem leais

Foram todos em debandada

Vivi a vida depressa demais

Foi-se perdendo na caminhada

Cumpra-se o destino e algo mais

Corria tanto sem andar nada

Tu sê diferente, vai devagarinho

Também chegarás ao fim do caminho.

publicado por Carlos Pereira às 21:49
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A Avó

Lavadeira que lava, é tão nobre,

Lençóis de linho de mil bordados,

Por causa do vinho, causa tão pobre,

Gerou sem razão, desígnios louvados.

 

Em família abastada ela viveu,

Houve um percalço, fruto de enganos,

O impossível atingiu-a, aconteceu,

Desígnios da vida, tão desumanos.

 

O marido emigrou. Infeliz coitado..,

Vida dura, inóspita e vil.

Sensível causa, enorme pecado!

Sem lençóis de linho, bordados mil.

 

A dignidade muito abalada,

Aldeia pequena, maior vergonha,

De casa dos pais foi afastada,

- Os pés nunca mais aqui ponha!

 

Na casa sombria tudo lhe falta,

Cozinha vazia, é fraco o alento,

Lidando na casa, a noite já alta,

Durante o dia ganhando o sustento.

publicado por Carlos Pereira às 21:46
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A Feira do Livro

Fustigar-nos-ão outros ventos,

Seremos uma terra a vender,

São de crise os novos tempos,

Para gáudio dos jumentos,

Já não importa saber ler.

 

O mandarim velha escrita,

Que rabiscos p'rã aprender,

Será a nova desdita,

Vejo gente tão aflita,

Que mais nos fará sofrer.

 

Há muita gente perdida,

Outra que se governa bem,

A divida ao ser vendida,

Se não houver mais comida,

Será comprada por alguém

publicado por Carlos Pereira às 21:44
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A Sina dos soldados da Paz

Toca o telefone que entoa

Veste-se num ápice aprumado

Vibra a sirene que soa

Corre o Bombeiro apressado

A viatura veloz até voa

Um capacete à pressa enfiado

Uma vez mais sem sobremesa

E o prato esperando na mesa

 

                        II

Não compreendo esta loucura

Esta vontade de ajudar

É a mais nobre postura

Dão tudo o que têm p’ra dar

Nem a família os segura

No aconchego de seu lar

Uma vez mais sem sobremesa

E o prato esperando na mesa

 

                        III

Os braços nunca baixar

Aos bombeiros honra se faça

Destemidos vamos lutar

Na bravura e na desgraça

Sempre prontos a ajudar

Á cem anos que isto se passa

Sem sobremesa uma vez mais

E os filhos esperando os pais.

 

publicado por Carlos Pereira às 21:42
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Tentação

Tu que me querias lançar as garras,

Que despropósito ou leviandade,

Liberto estou dessas amarras,

Eu que prezo tanto a liberdade.

 

A liberdade espiritual

No meu rebanho terei presente

Cativo estou, não te quero mal

Nunca cederei, só se demente.

 

Perdoa-me, sou bom cristão,

A Deus pertenço, é meu caminho,

Dá outro alento ao coração,

 

Encontrarás um outro ninho,

Sê consciente na reflexão,

Vai! Não te percas passarinho!

publicado por Carlos Pereira às 21:39
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Domingo, 13 de Julho de 2014

Sublime estrela

Sublime Estrela

 

Quando o sol, do sono se espreguiça,

Raia no negrilho ou no carvalho,

Aurora vem, a natureza atiça

Vendo o aldeão a ir á missa,

Vai lavando a cara no orvalho.

 

E quando a seguir tudo escurece,

Vem a noite, a noite cálida, fria,

A bola roda e quando amanhece,

Eis a sucessão que nos entristece,

Vem outro, e outro, um novo dia.

 

E quando á tarde brilha e desce,

Na janela raia e descortina,

Há uma nuvem na minha prece,

Á noite no horizonte aparece,

Finda o fim de tarde, é a neblina.

 

É assim o astro rei na sua aurora,

Que volta sem pedir seja o que for,

Que vontade, que prazer tem ele agora,

Quente e tão afável ao ir embora,

Finda o dia, pisca o olho que esplendor.

 

Ao fim de tarde, a prima já espreita,

Feito foi, um pacto real entre os dois,

Um vigia enquanto o outro se deita,

Nunca se juntam na roda perfeita,

Agora na cama um, o outro depois.

 

Toda a constelação nos acompanha,

Tão harmoniosa, ó mãe natureza,

És cálice de vida que amanha,

Para que cada um de nós assim tenha,

Faculdade p'rã sentir esta beleza.

publicado por Carlos Pereira às 23:20
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O cálice do amor

O cálice do amor

 

Quando me é estendida a mão,

E do teu cálice me dás de beber,

Estremece em mim o teu coração,

És um novo alento em meu viver.

 

Quero mais, insensível loucura,

Carinho, de amor ficar repleto,

Serei um quadro teu, sem moldura,

Na tela um esboço incompleto.

 

Provoca em mim este teu parto,

Dá vida á vida que vai nascer,

Sorri ao menos, ergue o semblante.

 

Farto estou, mas se não me farto,

Já não consigo compreender,

Este vazio tão inconstante. 

publicado por Carlos Pereira às 23:19
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O banco do Jardim

O banco do jardim

 

Encostado ao banco eu ando,

Tanta gente vejo a passar,

Á beirinha me vou chegando-

Se alguém se quiser sentar!

 

Passo os dias aqui sentado,

E tu passas junto a mim,

Ao passares olhas de lado,

Vais-te rindo mesmo assim.

 

Finalmente chegou a hora,

Me vou já daqui agora,

Vou saindo do jardim!

 

O banco te vou deixar,

E quando te vieres sentar,

Já te não rirás de mim!

publicado por Carlos Pereira às 23:18
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A avó

A Avó

 

É nestes dias de chuva qu’eu choro,

Quero o sol raio de luz, esperança,

Minha avó, penso em ti, eu te imploro,

Passou, não serei mais essa criança!

 

Aqui fiquei, sozinho abandonado,

E tu aí em cima, já não és,

Deste mundo vil, desorientado,

Ao sabor de ventos e marés! 

 

Já que foste embora e me deixaste,

Sem um abraço de despedida,

Nem sequer me dizeres quanto me amaste!

 

 Zela ao menos p’la minha vida,

Lá junto ás estrelas onde ficaste,

Vejo no céu uma rosa florida. 

publicado por Carlos Pereira às 23:17
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Erros meus...

Erros meus, Errante sou…

 

Agora que em ti, um novo alento

Procuro, sem achar sequer,

Fuji, ganhei asas com o vento,

Mundano! Num leito qualquer.

 

Tarde na vida volto agora,

Assim raiando a sina escura,

Mereço ouvir um “vai-te embora”

Sou no fim da etapa, amargura!

 

Só esse enorme coração,

Pra me dar tamanha lição,

Venha eu de onde vier,

 

Não mereço este perdão,

Bem lá no fundo, é compaixão,

Porque perdoas tu mulher?

 

 

publicado por Carlos Pereira às 23:16
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