Sexta-feira, 27 de Março de 2015

Nenhures

 

 

Deambulam pelas ruas

Deslocam-se para aqui para além

Conforme o toque do vento

Essa brisa suave fria

que lhes marca o rosto a face

Sim ao sabor do vento

Não sabem para onde vão

Nem porque se movimentam

Mas sabem que chegarão

A parte nenhuma

A um vazio intemporal...

Quem são?

Gente, pessoas!

publicado por Carlos Pereira às 15:14
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Sexta-feira, 20 de Março de 2015

Cem anos a salvar vidas

 

Opção tão grata por ti escolhida,

Difíceis momentos que passas na vida,

Aquela mãe que a filha adora,

Vinham da Cerdeira àquela hora.

 

Interrompe-se a ida, assim de repente,

Choque frontal que grande acidente,

Hirto e firme, o bombeiro implora,

Levem daqui, a criança que chora!

 

Na ambulância alguém a conduz,

Acabou a esperança, seu raio de luz,

Descolorida, a mãe que jaz morta,

Pobre menina, que a bombeira conforta.

 

Uma menina que a outra transporta,

Até tem nome que nos importa,

Na mente outro acidente que ocorreu,

Pensa na avó que atropelada morreu.

 

Desígnios da vida, que crueldade,

Estradas portuguesas, que mortandade,

Choram as duas que pobre imagem,

Perdeu-se outra mãe, acabou a viagem.

 

 

publicado por Carlos Pereira às 17:13
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Rebeldia de amor

 

Quis amar mas não sabia,

Distinguir o que era amor,

Sofri muito e, quando te via,

O meu coração tremia,

Aumentando o meu pavor.

 

Não sabia o que dizer

Pois aquilo que eu sentia,

Já estás mesmo a ver,

Sentimento p'ra valer,

Algo que eu não conhecia.

 

Num largo olhar, num lampejo,

Teu coração me seduz,

É a ti que eu desejo,

Ao acordar eu te vejo,

Fonte repleta de luz.

 

Sentimento? Não, loucura!

Batalha ganha a perder.

Livre? Prisão que perdura!

Dor, ciúmes, que amargura,

Amar tanto e tanto querer!

 

Fito o céu, eu vejo o mar

Tu numa onda com um véu,

Está turvo o meu olhar,

De em ti sempre pensar,

Olho o mar eu vejo o céu!

 

Sou da noite e vivo nela,

De dia suspiro a sonhar,

Só te vejo a ti donzela,

Não me apagues essa vela,

Á noite quando acordar!

 

 

publicado por Carlos Pereira às 17:13
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Rescaldos

 

 

Reinava a confusão

Naquela tarde de Agosto

Por causa da regionalização

E também dum fogo posto.

 

Rapazes vamos depressa

Anda o fogo no lameiro

Condutor toca a dar mecha

Directos a Vascoveiro.

 

Agarrada à escada

A bombeira vai segura

Percorrendo a estrada

Em cima da viatura.

 

O vendaval era grande

Fogo em mato rasteiro

De noite não há quem ande

O fogo chegou ao Pereiro.

 

É só barrocos Manel

Que andam aí a fazer

Regressem já ao Quartel

Vamos lá toca a mexer.

 

Quase em flagrante

Foi apanhado o imundo

Falem com o Comandante

Explicou o Segundo.

 

Não devem fazer queimadas

Nesta época de Verão

Senão ficam danificadas

As belezas da povoação.

 

 

publicado por Carlos Pereira às 17:11
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Tentação

 

 

 

Tu que me querias lançar as garras,

Que despropósito ou leviandade,

Liberto estou dessas amarras,

Eu que prezo tanto a liberdade.

 

A liberdade espiritual

No meu rebanho terei presente

Cativo estou, não te quero mal

Nunca cederei, só se demente.

 

Perdoa-me, sou bom cristão,

A Deus pertenço, é meu caminho,

Dá outro alento ao coração,

 

Encontrarás um outro ninho,

Sê consciente na reflexão,

Vai! Não te percas passarinho!

 

 

publicado por Carlos Pereira às 16:57
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Torrão Lusitano

 

 

Morre a gente lusa, ficam os tais,

Neste abandono encanto de outrora,

Erram os políticos e outros mais,

Querem expulsar-nos daqui para fora.

 

A velha Troika mas que apagão,

Vai-nos ditando tamanha desdita,

A lapiseira trémula em minha mão,

Vai rabiscando o que a mente dita.

 

Bendita sejas nação que foi nossa,

Se um dia já tarde voltares a ser,

Lembra-te do erro que deixou mossa,

Para não o voltares a cometer.

 

Vendidos, comprados aos vendilhões,

Haja fé na imaculada Musa,

Salve, pátria ditosa de Camões,

Morram os chacais, viva a gente Lusa!

 

 

publicado por Carlos Pereira às 16:56
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Sublime Estrela

 

Quando o sol, do sono se espreguiça,

Raia no negrilho ou no carvalho,

Aurora vem, a natureza atiça

Vendo o aldeão a ir á missa,

Vai lavando a cara no orvalho.

 

E quando a seguir tudo escurece,

Vem a noite, a noite cálida, fria,

A bola roda e quando amanhece,

Eis a sucessão que nos entristece,

Vem outro, e outro, um novo dia.

 

E quando á tarde brilha e desce,

Na janela raia e descortina,

Há uma nuvem na minha prece,

Á noite no horizonte aparece,

Finda o fim de tarde, é a neblina.

 

É assim o astro rei na sua aurora,

Que volta sem pedir seja o que for,

Que vontade, que prazer tem ele agora,

Quente e tão afável ao ir embora,

Finda o dia, pisca o olho que esplendor.

 

Ao fim de tarde, a prima já espreita,

Feito foi, um pacto real entre os dois,

Um vigia enquanto o outro se deita,

Nunca se juntam na roda perfeita,

Agora na cama um, o outro depois.

 

Toda a constelação nos acompanha,

Tão harmoniosa, ó mãe natureza,

És cálice de vida que amanha,

Para que cada um de nós assim tenha,

Faculdade p'rã sentir esta beleza.

 

 

publicado por Carlos Pereira às 16:51
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A Feira do livro

 

Fustigar-nos-ão outros ventos,

Seremos uma terra a vender,

São de crise os novos tempos,

Para gáudio dos jumentos,

Já não importa saber ler.

 

O mandarim velha escrita,

Que rabiscos p'rã aprender,

Será a nova desdita,

Vejo gente tão aflita,

Que mais nos fará sofrer.

 

Há muita gente perdida,

Outra que se governa bem,

A divida ao ser vendida,

Se não houver mais comida,

Será comprada por alguém.

 

publicado por Carlos Pereira às 16:50
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Pátria Mãe

 

È quase uma ilha esta terra de ilusões.

Que maravilhosa beleza encanto de país,

Este recanto que eu canto, é de Camões,

E de Bocage, assim se diz e rediz.

 

Grandes poetas, maiores feitos históricos,

Que salvou a nado o corajoso Luís,

Grande Vaz, de vícios alegóricos,

Há muito jaz, este rapaz de cariz.

 

Ao menos um, que da terra brote,

Traga poemas dentro de um pote,

Venha ver sua terra descarnada.

 

Senão venham os dois, ou um magote,

Todos os poetas, venham a trote,

Salvar sua pátria muito amada.

 

 

publicado por Carlos Pereira às 16:49
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Carraspana monumental

 

Se sem vento abana o mato,

O olhar turvo adivinho,

Sacio a sede no regato,

Da fraga corre o bom vinho.

 

P’rá frente e p’ra trás andando,

Sob o atento olhar do Sol,

As passadas vão falhando,

Chão duro, parece mole!

 

Sem trocos na algibeira,

Mas que grande borracheira,

Assim se pode chamar.

 

Inebriam-se os sentidos,

Já se foram os amigos,

Já se me turva o olhar!

 

publicado por Carlos Pereira às 16:48
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